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Do visível ao redor: arte e espaço informacional

Enviado por ex0d0, ter, 2019-10-08 10:00


São Paulo

{Resumo em português}
 
O projeto analisa o impacto dos fluxos imateriais formados por infraestruturas de comunicação e conectividade na percepção dos lugares. A emergência de espaços informacionais nos centros urbanos vem mudando a noção do que é visível e não visível na sociedade e na arte. A abordagem considera o "lugar" como um campo afetado por questões socioeconômicas e tecnopolíticas, bem como por migrações semânticas, que ocorrem em função de deslocamentos culturais, operações linguísticas, licenças poéticas ou digressões teóricas. As especificidades de um espaço arquitetônico que inclui cada vez mais aspectos imateriais em sua constituição, como campos de radiofrequência (RF) e ondas eletromagnéticas (EMF) gerados por celulares, redes wi-fi, transmissões de TV, satélites e telefones sem fio são discutidas através de uma arte em constante atrito com elementos da comunicação, em relações que se intensificaram notavelmente desde o início dos anos 1990. Essas investigações buscam não apenas evidenciar o quanto o espaço pode ser de fato considerado pelo que não é visível, tendo em vista as progressivas novas apreensões do espaço diante de inovações tecnológicas, mas também discute recursos que permitem fazer ver componentes intrínsecos à sua constituição, apontando novas condições e formas da invisibilidade. Para tanto, o projeto parte inicialmente de considerações metafóricas e de conceitos que discutem o espaço informacional e os fluxos de comunicação imersos na sociedade (CASTELLS, SANTOS, VIRILIO, BEIGUELMAN, DI FELICE), com a intenção de investigar os três tópicos principais da pesquisa: a noção de lugar, carregado de informação e de aspectos imateriais (FOSTER, LIPPARD, DEUTSCHE, KWON, DIDI-HUBERMAN), incluindo a presença da infraestrutura de conectividade e sua ubiquidade (DUNNE, SAVIC, EASTERLING, GREENFIELD); as tecnologias, suas instabilidades e efeitos colaterais em formas ubíquas de modulação de subjetividade e de ideologias (AGAMBEN, FOUCAULT, ZUBOFF, BRUNO, CRARY, RANCIÈRE); as artes criadas sob novas especificidades de lugares e condições (CAUQUELAIN, FOSTER, ZANINI, MEDOSCH, Metodologicamente são abordados uma série de artistas que convergem esses conceitos em trabalhos que são tanto alusivos da ideia da suposição como um componente da arte como indutores de conscientização a respeito das invisibilidades, ideologias e políticas imersas no ambiente ao nosso redor. Em interlocução com obras próprias e de vários artistas, são discutidas formas de ativar uma percepção que considera o que não está explícito no espaço ao redor, em uma apreensão de fluxos de comunicação e campos eletromagnéticos cada vez mais ubíquos, intrusivos e determinantes de nossa participação e existência nas esferas culturais, sociais e políticas atuais.
 
Título em inglês
Of the invisible around: art and informational space.

2019


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