Vocabulários interseccionando: uma transversal no Brasil entre Junhos disruptivos

Enviado por aarquivista, qui, 2017-03-30 00:13


Rio de Janeiro

{da introdução}

Este texto desenha uma cartografia narrativa e analítica do processo de realização do livro Vocabulário político para processos estéticos, concebido e editado por mim, com a participação de mais de trinta autores. O livro foi realizado a partir do Rio de Janeiro, com patrocínio da Funarte/Edital Redes 2013. Ele surge em meio ao ciclo de manifestações que colocam em questão as políticas antidemocráticas e neodesenvolvimentistas no Brasil, um ciclo que culmina no que se chamou de Jornadas de Junho, Primavera do Brasil, Ciclo de Jjunho, Junho disruptivo, entre outras denominações. O livro é homônimo ao projeto, que aconteceu por meio de encontros diversos em abril de 2014. Vocabulário político foi lançado em Janeiro de 2015 e tem distribuição gratuita. Este texto é uma cartografia porque ele narra uma parte do processo de realização do projeto, levanta algumas marcas desse processo e abre novos caminhos de investigação.

 

A concepção do projeto Vocabulário político para processos estéticos aconteceu paralelamente ao ciclo de manifestações que surgiu no Brasil a partir de meados de Abril de 2013, com as primeiras manifestações do Movimento Passe Livre (MPL) em Porto Alegre, Florianópolis e Salvador. O objetivo do projeto não era de antemão ser uma estratégia conectada apenas ao ciclo de manifestações, mas a criação de uma estratégia que provocasse uma espécie de transversal – um atravessamento – nos espaços da criação e da política de alguns circuitos de produção estética e política no Brasil, recentemente mobilizados também pelo ciclo de manifestações. O objetivo central do projeto era trabalhar o mapeamento dos conceitos e práticas a partir de um encontro de diferenças, de uma coletividade múltipla (ou diversa), com participantes de várias partes do país. Com a coleção de conceitos e práticas elencados pelos participantes, o livro se tornaria então a produção de um para-além-de-um-glossário, de um arquivo ou de uma caixa de ferramentas para processos coletivos. Lidamos com os conceitos não a partir de uma noção de objetividade como a que podemos encontrar em outras caixas de ferramentas. Produzimos entradas-conceitos que volta e meia podem levar o leitor a descobrir outras partidas, outras ferramentas, ou seja, interseccionar com outros vocabulários.

 

{para a versão em inglês} http://institutomesa.org/RevistaMesa_2/intersecting-vocabularies/?lang=en


2015


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