Documento

Ideias perigozas

Enviado por claranja, qua, 2011-08-24 23:43


Belém

Submidialogia é uma ilha de intensidade ultraconectada e alienada ao
mesmo tempo, que se repete diferenciando aos poucos seus estilos, formatos
e metodologias. É atravessada por séries com evidente inspiração
anarquista, punk e por vanguardas artísticas em geral. Crises,
paradoxos, desestruturações subjetivas básicas, mudanças paradigmáticas,
alguns momentos de extrema harmonia e outros de discórdia são
experimentados nas listas de discussões, nas produções hipermidiáticas
e presencialmente nos festivais.

Este livro é uma compilação de artigos, poesias, auto-críticas e outros
textos surgidos a partir da quarta edição do festival Submidialogia, realizada
em Belém (PA) no ano de 2009. Aqui, se encontrarão tanto textos
acadêmicos, como "Letramento Midiático e Digital", "A fronteira
virtuosa", "O Centro de Mídia Independente de Tefé" e "Natureza, arte
e tecnologia: a mobilidade do audiovisual de bolso", quanto poesias, como
a "Subpoesia" ou o "Subpoema".

Em 2009, tentava-se reunir e pôr em prática "ideias perigosas", mote
do festival subBelem e título também de um dos textos desta coletânea.
Reunindo pessoas do Brasil e do mundo ligadas ao movimento do
software livre, cultura da colaboração e pesquisas de mídias undergrounds,
os encontros do Submidialogia ocorrem anualmente desde
2005 e são prolongados no plano imaterial, porém concreto, da Internet,
através de uma lista de discussões. Os encontros são eventos festivos
regados a arte, música, cultura local, onde as subjetividades se
imiscuem num clima imersivo, onde o erotismo dos gestos e as performances
corpóreas tem lugar para suas manifestações.

Nos festivais e na lista, dinamizam-se forças pulsantes, projetos inconstantes
e crises de representação. A linguagem hipertextual é tornada
produção de inteligência coletiva, criando ideias em um lugar que não
é mais o pensamento individual, mas conteúdos náufragos facilmente
readaptados, reciclados e apropriados pela rede. Trata-se de uma nova
cultura, como Pajé Resistor afirma em "Chamado Metaprotocooperativo
Digitofágico".


2009